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Gestão de Saúde
23.12.2025

Fraudes em planos de saúde: como identificar, prevenir e reduzir impactos na saúde suplementar

fraude em plano de saúde
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A fraude em planos de saúde é um dos maiores desafios estruturais da saúde suplementar no Brasil. Mesmo com regras claras definidas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e avanços na digitalização do setor, práticas abusivas ainda geram prejuízos expressivos para operadoras, prestadores e beneficiários.

Os impactos vão muito além das perdas financeiras. Fraudes comprometem a sustentabilidade do sistema, elevam custos assistenciais, pressionam reajustes de mensalidades e afetam diretamente a qualidade do atendimento prestado à população. Em um cenário de margens cada vez mais apertadas e maior exigência regulatória, combater fraudes deixou de ser uma ação pontual e passou a ser uma estratégia essencial de gestão.

Neste artigo, você vai entender quais são os principais tipos de fraude em planos de saúde, seus impactos para o setor e como tecnologia, processos e governança podem atuar de forma integrada na prevenção e no combate a essas práticas.

O que caracteriza fraude em planos de saúde

Fraude em plano de saúde ocorre quando há uso intencional e indevido do sistema com o objetivo de obter vantagens financeiras ou assistenciais, de forma irregular ou ilegal. Essas práticas podem envolver beneficiários, prestadores de serviço, empresas intermediárias ou até falhas internas de controle.

Diferente de erros operacionais ou inconsistências administrativas, a fraude envolve dolo, ou seja, a intenção de enganar o sistema para gerar ganhos indevidos.

Principais tipos de fraudes na saúde suplementar

As fraudes podem ocorrer em diferentes pontos da cadeia assistencial. Entre as mais comuns, destacam-se:

Falsificação de documentos

Uso de receitas, laudos, guias ou históricos médicos adulterados ou inexistentes para obter autorizações, reembolsos ou coberturas indevidas.

Uso indevido do cartão do plano

Compartilhamento do cartão do beneficiário com terceiros que não possuem vínculo com o plano, permitindo atendimentos não autorizados.

Cobranças indevidas e superfaturamento

Prestadores podem faturar procedimentos não realizados, duplicar cobranças ou registrar códigos mais caros do que os serviços efetivamente prestados.

Encaminhamentos e solicitações desnecessárias

Indicação excessiva de exames, consultas ou procedimentos sem justificativa clínica, motivada por interesses financeiros.

Falsos diagnósticos

Simulação ou exagero de condições clínicas para justificar internações, cirurgias ou tratamentos de alto custo.

Manipulação de prescrições

Alteração de receitas médicas para obtenção excessiva de medicamentos, inclusive para fins de revenda.

Reembolso duplicado

Solicitação de reembolso do mesmo procedimento em mais de um plano ou em diferentes canais.

Cadastro irregular de beneficiários

Inclusão de pessoas inexistentes, inativas ou sem vínculo válido para gerar faturamentos indevidos.

Clínicas e laboratórios fantasmas

Criação de estabelecimentos fictícios com o único objetivo de emitir cobranças por atendimentos que nunca ocorreram.

Impactos das fraudes para o setor de saúde suplementar

As consequências das fraudes em planos de saúde são amplas e afetam todo o ecossistema.

Aumento dos custos assistenciais

Os valores desviados acabam sendo diluídos na operação, pressionando a sinistralidade e os reajustes de mensalidade.

Redução da qualidade do atendimento

Recursos que poderiam ser investidos em inovação, ampliação da rede ou programas de prevenção são consumidos por perdas evitáveis.

Restrições de acesso

Fraudes comprometem orçamentos e podem levar a regras mais rígidas de autorização, afetando inclusive beneficiários legítimos.

Riscos legais e reputacionais

Operadoras e prestadores podem sofrer sanções, multas e desgaste de imagem, mesmo quando não participam diretamente das irregularidades.

Aumento da complexidade operacional

Mais auditorias, investigações e controles manuais elevam custos administrativos e reduzem a eficiência da operação.

Quem é mais prejudicado pelas fraudes em planos de saúde

Embora praticadas por uma minoria, as fraudes afetam muitos:

  • Beneficiários honestos, que pagam mensalidades mais altas
  • Operadoras, que enfrentam margens reduzidas e maior risco regulatório
  • Prestadores éticos, que competem de forma desigual
  • Empresas contratantes, nos planos corporativos
  • O sistema de saúde como um todo, que perde recursos essenciais

Como prevenir e combater fraudes em planos de saúde

A prevenção exige uma abordagem estruturada, contínua e baseada em dados. Algumas práticas fundamentais incluem:

  • Monitoramento constante de autorizações e faturamentos
  • Auditorias automatizadas e inteligência analítica
  • Rastreabilidade completa das transações
  • Padronização de processos conforme normas da ANS (TISS)
  • Validações digitais, biometria e autenticação forte
  • Políticas claras de compliance e governança
  • Treinamento contínuo das equipes

Essas ações reduzem falhas humanas, aumentam a transparência e dificultam práticas fraudulentas.

O papel da tecnologia no combate à fraude

A tecnologia é um dos principais aliados das operadoras no enfrentamento das fraudes. Soluções especializadas permitem:

  • Análise de grandes volumes de dados em tempo real
  • Identificação de padrões atípicos de uso
  • Cruzamento inteligente de informações assistenciais e financeiras
  • Automação de auditorias e controles
  • Apoio à tomada de decisão preventiva

Além de reduzir perdas financeiras, a tecnologia fortalece a conformidade regulatória, melhora a eficiência operacional e contribui para uma experiência mais segura e transparente para o beneficiário.

Conclusão

A fraude em planos de saúde é um problema estrutural que exige atenção permanente, visão estratégica e atuação integrada. Combatê-la não significa apenas reduzir custos, mas preservar a qualidade do atendimento, a confiança dos beneficiários e a sustentabilidade da saúde suplementar.

Com processos bem definidos, cultura de compliance e uso inteligente da tecnologia, as operadoras conseguem minimizar riscos, proteger recursos e fortalecer sua operação em um ambiente cada vez mais regulado e competitivo.

Prevenir fraudes é, acima de tudo, cuidar da saúde do sistema como um todo.

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