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Gestão de RH
22.1.2026

O que é cultura organizacional e por que ela importa

o que é cultura organizacional
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A cultura organizacional é um dos elementos mais determinantes para o sucesso de uma empresa, embora muitas vezes seja tratada como algo abstrato ou secundário. Na prática, ela é o que define como a empresa funciona de verdade, e não apenas como ela se apresenta em discursos institucionais.

Cultura organizacional é o conjunto de valores, crenças, normas, comportamentos e padrões de decisão que orientam a forma como as pessoas agem dentro de uma organização. Ela influencia desde a maneira como os colaboradores se comunicam até como resolvem problemas, lidam com erros, inovam e tomam decisões.

Mais do que um conceito teórico, a cultura se manifesta no cotidiano. Ela aparece nas reuniões, nos feedbacks, nas metas, nos processos, nas lideranças e até nos pequenos gestos do dia a dia. Em empresas com uma cultura bem estruturada, existe coerência entre discurso e prática. Em empresas com cultura frágil ou mal definida, o que se vê é ruído, desalinhamento e perda de identidade.

Nos últimos anos, a cultura organizacional deixou de ser um tema periférico e passou a ocupar um lugar central nas estratégias empresariais. Isso aconteceu porque o ambiente de negócios se tornou mais instável, mais competitivo e mais dependente de pessoas qualificadas. Nesse cenário, não basta ter bons produtos, processos eficientes ou tecnologia de ponta. É preciso ter uma cultura capaz de sustentar o crescimento, promover engajamento e facilitar a adaptação às mudanças.

O que é cultura organizacional

De forma objetiva, a cultura organizacional pode ser definida como o sistema de significados compartilhados dentro de uma empresa. Esses significados determinam o que é considerado certo ou errado, desejável ou indesejável, aceitável ou inaceitável.

Ela não nasce pronta. A cultura é construída ao longo do tempo, a partir das decisões tomadas, dos comportamentos reforçados, das histórias que circulam internamente e da forma como a liderança age. Em outras palavras, a cultura é moldada tanto pelo que a empresa valoriza quanto pelo que ela tolera.

É comum que organizações descrevam sua cultura por meio de palavras como inovação, ética, colaboração ou foco no cliente. No entanto, a cultura real não está nesses rótulos, mas sim nas práticas cotidianas. Uma empresa pode afirmar que valoriza a inovação, mas punir o erro e desestimular experimentações. Nesse caso, sua cultura não é inovadora, mas sim conservadora e avessa a riscos.

Por isso, entender a cultura organizacional exige olhar para o comportamento coletivo, e não apenas para os discursos institucionais.

Por que a cultura organizacional é tão importante

A cultura organizacional exerce um impacto direto sobre praticamente todos os aspectos da empresa. Ela influencia a produtividade, o engajamento, a capacidade de inovação, a tomada de decisão, o relacionamento com clientes e até a reputação da marca.

Entre os principais efeitos de uma cultura bem estruturada, podemos destacar:

  • Maior alinhamento estratégico, pois as pessoas entendem claramente os objetivos da empresa.
  • Aumento do engajamento, já que os colaboradores se sentem parte de algo maior.
  • Redução do turnover, porque as pessoas permanecem em ambientes com os quais se identificam.
  • Melhoria no clima organizacional, com relações mais saudáveis e colaborativas.
  • Mais agilidade nas decisões, pois há clareza sobre o que é esperado.
  • Maior capacidade de adaptação, essencial em mercados voláteis.

A cultura atua como um guia informal de comportamento. Em vez de depender apenas de regras e manuais, os colaboradores passam a saber intuitivamente como agir em diferentes situações. Isso torna a empresa mais ágil e menos dependente de controles excessivos.

Cultura organizacional não é clima organizacional

Um erro comum é confundir cultura organizacional com clima organizacional. Embora estejam relacionados, eles não são a mesma coisa.

A cultura é profunda, estrutural e relativamente estável. Ela representa os valores e padrões que orientam a empresa ao longo do tempo. Já o clima organizacional é mais momentâneo e está relacionado à percepção que os colaboradores têm do ambiente de trabalho em um determinado período.

Podemos resumir essa diferença assim:

  • Cultura organizacional: é o “como fazemos as coisas por aqui”.
  • Clima organizacional: é o “como as pessoas estão se sentindo agora”.

Uma empresa pode ter uma cultura sólida, mas atravessar um momento de clima ruim devido a uma crise, reestruturação ou mudança de liderança. Da mesma forma, pode existir um clima aparentemente positivo, mas sustentado por práticas que, no longo prazo, são incoerentes ou insustentáveis.

Entender essa diferença é fundamental para não tratar sintomas como se fossem causas.

A origem do conceito de cultura organizacional

O conceito de cultura organizacional ganhou força a partir das décadas de 1970 e 1980, principalmente nos estudos de comportamento organizacional e sociologia das organizações. Pesquisadores começaram a perceber que empresas não eram apenas estruturas técnicas, mas também sistemas sociais complexos.

Um dos principais nomes associados a esse conceito é Edgar Schein, que definiu a cultura organizacional como um conjunto de pressupostos básicos compartilhados que um grupo aprende à medida que resolve seus problemas de adaptação externa e integração interna.

Esses pressupostos passam a ser ensinados aos novos membros como a forma correta de perceber, pensar e sentir em relação a esses problemas.

Essa definição deixa claro que cultura não é algo superficial. Ela está relacionada à forma como a empresa enxerga o mundo, reage a desafios e constrói significado para suas ações.

Cultura explícita e cultura implícita

Outro ponto essencial é entender que existem dois níveis de cultura dentro de uma organização: a cultura explícita e a cultura implícita.

A cultura explícita é aquela que a empresa comunica formalmente. Ela aparece em:

  • Códigos de conduta
  • Manuais internos
  • Políticas corporativas
  • Discursos da liderança
  • Campanhas institucionais
  • Materiais de onboarding

Já a cultura implícita é aquela que realmente guia o comportamento das pessoas. Ela se manifesta em:

  • Decisões do dia a dia
  • Critérios de promoção
  • Formas de punição
  • Histórias que circulam internamente
  • Como erros são tratados
  • Como conflitos são resolvidos

Quando esses dois níveis estão alinhados, a empresa ganha credibilidade e consistência. Quando entram em conflito, surgem cinismo, desmotivação e perda de confiança.

Os principais elementos que formam a cultura organizacional

A cultura organizacional não é composta por um único fator. Ela é o resultado da combinação de vários elementos que se reforçam mutuamente.

Entre os principais, estão:

  • Valores, que representam aquilo que a empresa considera importante.
  • Crenças, que são as convicções sobre como o mundo funciona.
  • Normas, que orientam o comportamento esperado.
  • Rituais, que reforçam significados coletivos.
  • Símbolos, que comunicam identidade.
  • Histórias, que perpetuam exemplos e aprendizados.
  • Linguagem, que molda a forma de pensar e agir.

Esses elementos não existem de forma isolada. Eles se manifestam na prática e moldam a forma como a organização se comporta interna e externamente.

Cultura organizacional e liderança

A liderança exerce um papel central na formação, manutenção e transformação da cultura organizacional. Isso acontece porque líderes não apenas comunicam valores, mas modelam comportamentos. As pessoas observam o que líderes fazem, não apenas o que dizem.

Em empresas onde a liderança age de forma coerente com os valores declarados, a cultura tende a ser mais forte e consistente. Por outro lado, quando há contradição entre discurso e prática, surge desconfiança, cinismo e desengajamento.

A influência da liderança na cultura se manifesta em aspectos como:

  • Tom das interações, mais colaborativo ou mais hierárquico.
  • Forma de lidar com erros, como aprendizado ou como falha punível.
  • Estilo de tomada de decisão, centralizado ou participativo.
  • Critérios de reconhecimento, baseados em resultados, comportamento ou ambos.
  • Grau de abertura ao diálogo, feedback e inovação.

A cultura, portanto, é um reflexo direto da liderança. Não existe cultura forte sem liderança alinhada.

Cultura organizacional e estratégia

Muitas empresas tratam cultura e estratégia como temas separados. Na prática, eles são indissociáveis. A estratégia define o que a empresa quer alcançar. A cultura define como ela vai se comportar para alcançar isso.

Uma estratégia ambiciosa não se sustenta em uma cultura desalinhada. Por exemplo, uma empresa pode querer ser inovadora, mas manter uma cultura que pune o erro, valoriza a obediência cega e evita riscos. Nesse caso, a estratégia não se concretiza.

Uma cultura alinhada à estratégia ajuda a:

  • Orientar decisões no dia a dia.
  • Priorizar ações sem depender de controles excessivos.
  • Reduzir conflitos internos, pois há clareza sobre o que é esperado.
  • Aumentar a velocidade de execução, já que as pessoas sabem como agir.

Cultura não substitui estratégia, mas viabiliza a estratégia.

Cultura organizacional e performance

Existe uma relação direta entre cultura organizacional e desempenho. Empresas com culturas bem definidas e alinhadas tendem a apresentar melhores resultados no longo prazo.

Isso acontece porque uma cultura forte:

  • Reduz ambiguidades.
  • Aumenta a confiança.
  • Estimula a colaboração.
  • Melhora a qualidade das decisões.
  • Cria senso de propósito.

Esses fatores impactam diretamente indicadores como produtividade, qualidade, inovação e satisfação do cliente.

Por outro lado, culturas tóxicas ou mal definidas geram:

  • Alto turnover.
  • Baixo engajamento.
  • Conflitos constantes.
  • Resistência a mudanças.
  • Perda de talentos.

A cultura funciona como um multiplicador silencioso de resultados, tanto positivos quanto negativos.

Cultura organizacional e engajamento

Engajamento não é motivação pontual. Ele é a disposição contínua das pessoas em contribuir, colaborar e se dedicar ao trabalho. E isso está profundamente ligado à cultura.

As pessoas se engajam quando:

  • Sentem que seu trabalho tem significado.
  • Percebem coerência entre valores e práticas.
  • São ouvidas.
  • Têm autonomia.
  • Recebem reconhecimento justo.

Esses fatores são culturais, não apenas operacionais.

Uma empresa pode oferecer bons salários e benefícios, mas se a cultura for incoerente, autoritária ou injusta, o engajamento será baixo. Cultura é o que sustenta o vínculo emocional entre pessoas e organização.

Cultura organizacional e inovação

Inovação não depende apenas de tecnologia. Ela depende de uma cultura que permita experimentar, errar, aprender e tentar novamente.

Uma cultura inovadora apresenta características como:

  • Tolerância ao erro, desde que haja aprendizado.
  • Curiosidade, incentivo à exploração de novas ideias.
  • Colaboração interdisciplinar.
  • Abertura ao questionamento.
  • Autonomia com responsabilidade.

Sem esses elementos, a inovação tende a ser pontual e não sustentável.

Subculturas organizacionais

Em empresas maiores, é comum que existam subculturas. Elas surgem em áreas, departamentos ou unidades específicas, influenciadas por lideranças locais, tipo de trabalho e perfil das equipes.

Subculturas não são necessariamente ruins. Elas se tornam problemáticas quando entram em conflito com os valores centrais da organização.

Por isso, é importante que exista uma cultura-mãe, que funcione como referência para todas as subculturas. Ela garante identidade, coesão e alinhamento estratégico.

Cultura forte vs cultura fraca

Uma cultura forte não é aquela que é rígida, mas sim aquela que é clara, compartilhada e vivida na prática.

Podemos diferenciar assim:

Cultura forte

  • Valores claros e conhecidos.
  • Coerência entre discurso e prática.
  • Comportamentos consistentes.
  • Alto senso de pertencimento.
  • Decisões mais rápidas.

Cultura fraca

  • Valores genéricos.
  • Contradições frequentes.
  • Falta de identidade.
  • Alto nível de conflito.
  • Dependência excessiva de regras.

O objetivo não é criar uma cultura engessada, mas sim uma cultura consistente e adaptável.

Como diagnosticar a cultura organizacional

Antes de tentar mudar uma cultura, é preciso compreendê-la. Isso exige observação, escuta ativa e análise de padrões.

Algumas perguntas-chave ajudam nesse diagnóstico:

  • Como decisões são tomadas?
  • O que é valorizado na prática?
  • Como erros são tratados?
  • Quem é promovido?
  • Como conflitos são resolvidos?
  • Que histórias circulam internamente?

Ferramentas como entrevistas, pesquisas internas, grupos focais e análise de comportamentos reais são mais eficazes do que apenas documentos formais.

Como construir uma cultura organizacional

Cultura não se implanta como um software. Ela é construída ao longo do tempo.

Alguns passos fundamentais são:

  • Definir valores claros e específicos.
  • Traduzir valores em comportamentos esperados.
  • Garantir que a liderança seja exemplo.
  • Alinhar processos e políticas.
  • Reforçar comportamentos desejados.
  • Comunicar continuamente.

Cultura se constrói com repetição, consistência e coerência.

Cultura organizacional em empresas em crescimento

À medida que uma empresa cresce, sua complexidade aumenta. Novas áreas surgem, mais pessoas são contratadas, processos se tornam mais especializados e a comunicação se torna menos direta. Nesse contexto, a cultura organizacional passa a exercer um papel ainda mais crítico.

Em empresas pequenas, a cultura é fortemente influenciada pelos fundadores. As decisões são rápidas, os valores são transmitidos informalmente e os comportamentos são observados de perto. Já em empresas em crescimento, esse modelo deixa de funcionar. Sem uma cultura clara, surgem inconsistências, ruídos e perda de identidade.

Uma cultura bem definida ajuda empresas em expansão a:

  • Manter coerência mesmo com o aumento do número de pessoas.
  • Facilitar a integração de novos colaboradores.
  • Reduzir conflitos entre áreas.
  • Sustentar padrões de comportamento.
  • Evitar a perda de identidade.

Crescer sem cuidar da cultura é um dos erros mais comuns em organizações que escalam rapidamente.

Cultura organizacional em processos de mudança

Toda mudança organizacional afeta a cultura, e toda cultura reage às mudanças. Fusões, aquisições, reestruturações, adoção de novas tecnologias e mudanças de liderança exigem atenção redobrada ao fator cultural.

Quando a cultura não é considerada, as mudanças encontram resistência. Isso acontece porque as pessoas não resistem à mudança em si, mas à perda de previsibilidade, identidade e segurança.

Para que processos de mudança sejam bem-sucedidos, é fundamental:

  • Comunicar o propósito da mudança.
  • Envolver as pessoas no processo.
  • Reforçar valores durante a transição.
  • Ajustar práticas, não apenas discursos.
  • Reconhecer emoções e inseguranças.

Mudanças estruturais sem alinhamento cultural tendem a falhar.

Erros comuns na gestão da cultura organizacional

Apesar da importância da cultura, muitas empresas cometem erros que enfraquecem sua identidade ao longo do tempo.

Entre os mais comuns estão:

  • Tratar cultura como marketing interno.
  • Definir valores genéricos e vagos.
  • Não alinhar liderança aos valores.
  • Ignorar comportamentos reais.
  • Punir erros de forma excessiva.
  • Não revisar práticas antigas.
  • Subestimar o impacto da cultura nos resultados.

Cultura não se constrói com slogans. Ela se constrói com coerência, repetição e exemplo.

Cultura organizacional e tecnologia

A tecnologia não é neutra. Ela molda comportamentos, redefine rotinas e influencia a forma como as pessoas trabalham.

Sistemas, plataformas e ferramentas criam padrões de interação. Eles determinam o que é fácil, difícil, visível ou invisível. Isso impacta diretamente a cultura.

Por exemplo, ferramentas colaborativas estimulam troca de conhecimento. Sistemas rígidos e burocráticos reforçam hierarquias. Plataformas transparentes incentivam responsabilidade.

A tecnologia não apenas apoia a cultura. Ela reforça ou enfraquece valores.

Cultura organizacional e ERP

O ERP exerce um papel particularmente relevante na formação da cultura, pois ele estrutura os processos centrais da empresa.

Quando um ERP é bem implementado, ele fortalece valores como:

  • Transparência, ao centralizar dados.
  • Responsabilidade, ao registrar ações.
  • Colaboração, ao integrar áreas.
  • Padronização, ao definir fluxos claros.
  • Gestão orientada a dados, ao oferecer indicadores confiáveis.

Além disso, o ERP reduz dependência de controles informais e favorece uma cultura mais profissionalizada.

Cultura e transformação digital

Transformação digital não é apenas sobre tecnologia. É sobre mentalidade.

Empresas que realmente se transformam digitalmente desenvolvem culturas que valorizam:

  • Aprendizado contínuo.
  • Experimentação.
  • Autonomia responsável.
  • Colaboração.
  • Uso inteligente de dados.

Sem esses elementos culturais, a transformação se limita à adoção de ferramentas.

Exemplos práticos de impacto da cultura

Uma empresa com cultura de confiança permite autonomia e reduz microgestão.
Uma empresa com cultura de aprendizado vê erros como fonte de evolução.
Uma empresa com cultura de colaboração reduz silos.
Uma empresa com cultura orientada a dados decide com base em fatos, não em percepções.

Esses comportamentos são culturais, não técnicos.

Cultura organizacional não é algo estático

A cultura não é um projeto com começo, meio e fim. Ela é um processo contínuo.

Ela precisa ser revisitada, ajustada e reforçada ao longo do tempo.

Mudanças de mercado, de modelo de negócio e de tecnologia exigem atualizações culturais.

Cultura viva é cultura adaptável.

Conclusão

A cultura organizacional é o que sustenta todas as outras dimensões da empresa. Ela influencia como decisões são tomadas, como as pessoas se comportam, como conflitos são resolvidos e como a empresa evolui.

Mais do que um conceito abstrato, a cultura é um ativo estratégico.

Empresas que tratam a cultura com seriedade conseguem crescer com mais consistência, engajar pessoas de forma mais profunda e se adaptar com mais facilidade.

No longo prazo, são essas empresas que se tornam mais resilientes, inovadoras e sustentáveis.

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