
O cenário jurídico brasileiro atravessa uma transformação estrutural. O que antes era um debate sobre eficiência operacional agora se tornou uma discussão estratégica sobre posicionamento, governança e sustentabilidade.
No webinar recente realizado pela Benner, Magno Alves e a pesquisadora Ana Paula Camelo, do CEPI FGV Direito SP, destacaram que 2026 representa um verdadeiro ponto de inflexão para o setor jurídico. Não basta mais ter um bom time técnico. É necessário alinhar performance, tecnologia no jurídico e governança inteligente.
A transformação não é opcional. Ela é inevitável.
A Inteligência Artificial deixou de ser tendência e passou a integrar o cotidiano das operações jurídicas. Os dados apresentados durante o encontro reforçam essa realidade.
Esses números revelam dois movimentos simultâneos: crescimento acelerado da tecnologia no jurídico e aumento proporcional da exposição a riscos digitais e regulatórios.
Um dos pontos mais relevantes do debate foi a distinção entre o que se pode chamar de “adoção cosmética” e adoção estratégica de tecnologia.
A adoção cosmética ocorre quando organizações implementam ferramentas de IA apenas para sinalizar modernização. São soluções desconectadas do core do negócio, sem integração com sistemas estruturantes ou indicadores de performance.
Já a adoção estratégica exige alinhamento com a tríade essencial apontada por Ana Paula Camelo:
Profissionais com perfil híbrido, capazes de compreender direito, gestão e tecnologia. O advogado de 2026 precisa dialogar com dados, métricas e sistemas.
Fluxos estruturados e mapeados. A tecnologia no jurídico não substitui processos mal definidos. Ela os potencializa quando estão organizados.
Ferramentas que resolvem problemas reais e que estejam integradas aos sistemas de gestão, especialmente ERPs jurídicos. A integração garante rastreabilidade, governança e escalabilidade.
Sem essa tríade, a inovação se torna frágil.
O avanço da tecnologia no jurídico ocorre em paralelo a um ambiente regulatório em construção.
Atualmente, três iniciativas moldam esse cenário:
Essa classificação impõe requisitos de transparência, supervisão humana e responsabilidade técnica.
O gestor jurídico que não dominar esses aspectos regulatórios corre o risco de comprometer não apenas a eficiência, mas também a conformidade da operação.
O dado sobre os 315 milhões de tentativas de ataques cibernéticos não pode ser ignorado.
Quanto maior a digitalização, maior a superfície de risco. Isso exige:
A tecnologia no jurídico não é apenas automação. É também proteção de dados, reputação e continuidade operacional.
A grande mudança projetada para 2026 é a evolução do gestor jurídico.
Ele deixa de ser apenas líder de equipe para se tornar um orquestrador de um ecossistema híbrido, composto por pessoas e agentes de IA.
Isso exige:
O fenômeno das chamadas “alucinações” da IA, quando o sistema cria jurisprudências inexistentes, reforça a necessidade de validação técnica constante.
O conhecimento jurídico clássico não perde relevância. Pelo contrário, torna-se ainda mais estratégico para filtrar, validar e orientar a tecnologia.
Em 2026, performance jurídica será medida não apenas pela qualidade técnica, mas também por:
A tecnologia no jurídico passa a ser ferramenta estruturante para posicionar o departamento como área estratégica da organização, e não apenas como centro de custo.
O jurídico em 2026 será definido pela integração entre performance, tecnologia e governança.
A Inteligência Artificial amplia a capacidade analítica, mas exige responsabilidade. A digitalização aumenta eficiência, mas demanda segurança. A inovação acelera resultados, mas requer processos estruturados.
A verdadeira transformação não está em adotar IA. Está em integrá-la de forma estratégica, ética e governável.
Este conteúdo é apenas uma síntese da discussão promovida pela Benner e pela FGV. Para aprofundar os insights e entender como aplicar esses conceitos no seu departamento jurídico, assista ao webinar completo.
Assista o webinar completo: