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Gestão Jurídica
27.2.2026

O Jurídico em 2026: Performance, Tecnologia e Governança

Tecnologia no Jurídico

O cenário jurídico brasileiro atravessa uma transformação estrutural. O que antes era um debate sobre eficiência operacional agora se tornou uma discussão estratégica sobre posicionamento, governança e sustentabilidade.

No webinar recente realizado pela Benner, Magno Alves e a pesquisadora Ana Paula Camelo, do CEPI FGV Direito SP, destacaram que 2026 representa um verdadeiro ponto de inflexão para o setor jurídico. Não basta mais ter um bom time técnico. É necessário alinhar performance, tecnologia no jurídico e governança inteligente.

A transformação não é opcional. Ela é inevitável.

O panorama da IA no Brasil: números que revelam a mudança

A Inteligência Artificial deixou de ser tendência e passou a integrar o cotidiano das operações jurídicas. Os dados apresentados durante o encontro reforçam essa realidade.

  • Adoção em massa: 50% dos advogados já utilizam IA em suas atividades diárias.
  • Escritórios de elite: 47% dos escritórios mais renomados do Brasil já integraram IA aos seus fluxos de trabalho.
  • Volume de dados: O Brasil possui o maior repositório de dados jurídicos públicos do mundo, com 80 milhões de processos ativos no sistema Codex do CNJ.
  • Vulnerabilidade digital: O país concentra 84% das tentativas de ataques cibernéticos da América Latina, somando 315 milhões de ocorrências.

Esses números revelam dois movimentos simultâneos: crescimento acelerado da tecnologia no jurídico e aumento proporcional da exposição a riscos digitais e regulatórios.

A diferença entre adoção cosmética e adoção estratégica

Um dos pontos mais relevantes do debate foi a distinção entre o que se pode chamar de “adoção cosmética” e adoção estratégica de tecnologia.

A adoção cosmética ocorre quando organizações implementam ferramentas de IA apenas para sinalizar modernização. São soluções desconectadas do core do negócio, sem integração com sistemas estruturantes ou indicadores de performance.

Já a adoção estratégica exige alinhamento com a tríade essencial apontada por Ana Paula Camelo:

Pessoas

Profissionais com perfil híbrido, capazes de compreender direito, gestão e tecnologia. O advogado de 2026 precisa dialogar com dados, métricas e sistemas.

Processos

Fluxos estruturados e mapeados. A tecnologia no jurídico não substitui processos mal definidos. Ela os potencializa quando estão organizados.

Tecnologia

Ferramentas que resolvem problemas reais e que estejam integradas aos sistemas de gestão, especialmente ERPs jurídicos. A integração garante rastreabilidade, governança e escalabilidade.

Sem essa tríade, a inovação se torna frágil.

Governança e o desafio regulatório da IA

O avanço da tecnologia no jurídico ocorre em paralelo a um ambiente regulatório em construção.

Atualmente, três iniciativas moldam esse cenário:

Essa classificação impõe requisitos de transparência, supervisão humana e responsabilidade técnica.

O gestor jurídico que não dominar esses aspectos regulatórios corre o risco de comprometer não apenas a eficiência, mas também a conformidade da operação.

Segurança digital: um ponto crítico

O dado sobre os 315 milhões de tentativas de ataques cibernéticos não pode ser ignorado.

Quanto maior a digitalização, maior a superfície de risco. Isso exige:

  • Políticas robustas de segurança da informação
  • Controle de acessos
  • Monitoramento constante
  • Integração segura entre sistemas

A tecnologia no jurídico não é apenas automação. É também proteção de dados, reputação e continuidade operacional.

O novo papel do gestor jurídico: orquestrador de humanos e máquinas

A grande mudança projetada para 2026 é a evolução do gestor jurídico.

Ele deixa de ser apenas líder de equipe para se tornar um orquestrador de um ecossistema híbrido, composto por pessoas e agentes de IA.

Isso exige:

  • Supervisão humana ativa
  • Capacidade crítica para validar resultados gerados por algoritmos
  • Compreensão dos limites da Inteligência Artificial

O fenômeno das chamadas “alucinações” da IA, quando o sistema cria jurisprudências inexistentes, reforça a necessidade de validação técnica constante.

O conhecimento jurídico clássico não perde relevância. Pelo contrário, torna-se ainda mais estratégico para filtrar, validar e orientar a tecnologia.

Performance jurídica como diferencial competitivo

Em 2026, performance jurídica será medida não apenas pela qualidade técnica, mas também por:

  • Tempo de resposta
  • Capacidade de análise preditiva
  • Gestão de riscos baseada em dados
  • Conformidade regulatória
  • Eficiência operacional

A tecnologia no jurídico passa a ser ferramenta estruturante para posicionar o departamento como área estratégica da organização, e não apenas como centro de custo.

Conclusão

O jurídico em 2026 será definido pela integração entre performance, tecnologia e governança.

A Inteligência Artificial amplia a capacidade analítica, mas exige responsabilidade. A digitalização aumenta eficiência, mas demanda segurança. A inovação acelera resultados, mas requer processos estruturados.

A verdadeira transformação não está em adotar IA. Está em integrá-la de forma estratégica, ética e governável.

Este conteúdo é apenas uma síntese da discussão promovida pela Benner e pela FGV. Para aprofundar os insights e entender como aplicar esses conceitos no seu departamento jurídico, assista ao webinar completo.

Assista o webinar completo:

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