
Falar de incertezas deixou de ser algo eventual e passou a fazer parte do cotidiano das empresas. Mudanças econômicas frequentes, instabilidade política, transformações tecnológicas aceleradas, novos modelos de trabalho e expectativas cada vez maiores por parte dos profissionais criam um cenário em que a previsibilidade é exceção, não regra. Nesse contexto, a gestão de pessoas assume um papel ainda mais estratégico, pois é ela que sustenta a capacidade das organizações de se adaptar, inovar e seguir competitivas.
Em vez de concentrar energia apenas no medo, na insegurança e nos fatores externos fora de controle, existe uma oportunidade clara de mudança de perspectiva. Foi exatamente com essa provocação que Cesar Souza, um dos mais renomados consultores e escritores do Brasil, conduziu a palestra “Gestão de Pessoas em Tempos de Incerteza”, apresentada no estande da Benner durante o CONARH 2025.
Com uma abordagem prática, direta e inspiradora, Cesar propôs uma reflexão profunda sobre o papel da liderança e do RH em momentos turbulentos. Em vez de apenas listar os problemas do cenário atual, como juros elevados, insegurança jurídica, pressão por resultados e impactos globais, ele apresentou cinco caminhos concretos de ação para empresas que desejam atravessar períodos de incerteza com mais coragem, inteligência e estratégia.
Um dos pontos centrais da palestra foi a ideia de que a incerteza não deve mais ser tratada como algo passageiro. O mundo corporativo vive um contexto em que mudanças são constantes e rápidas. Esperar “o momento ideal” para agir pode significar perder relevância, talentos e oportunidades.
Nesse cenário, a gestão de pessoas precisa deixar de ser apenas operacional e assumir um papel ativo na construção de respostas organizacionais. Empresas que se adaptam melhor não são as que evitam riscos, mas as que desenvolvem pessoas capazes de lidar com eles. Isso exige liderança preparada, cultura organizacional sólida e investimento contínuo em desenvolvimento humano.
O primeiro caminho apresentado por Cesar Souza foi a importância de criar novos mercados, mesmo quando o ambiente externo parece desfavorável. Ele compartilhou exemplos de empresas que, diante de barreiras como tarifas internacionais elevadas e restrições comerciais, encontraram alternativas criativas para continuar crescendo.
Algumas organizações passaram a exportar por meio de outros países, enquanto outras redirecionaram esforços para novos nichos no mercado nacional. Mais do que uma estratégia comercial, criar novos mercados representa uma mudança de mentalidade. É a capacidade de enxergar oportunidades onde, à primeira vista, só existem limitações.
Do ponto de vista da gestão de pessoas, esse movimento tem impactos profundos. Ele estimula a inovação, gera novos desafios profissionais, fortalece o senso de propósito e renova a motivação das equipes. Pessoas engajadas em projetos de crescimento tendem a se sentir mais parte da solução, mesmo em contextos difíceis.
Com juros elevados e maior custo de financiamento, o segundo caminho destacado foi a adoção de modelos de negócio menos dependentes de grandes aportes de capital. Cesar citou o caso de uma empresa do setor ambiental que deixou de investir em aterros e passou a transformar resíduos em biogás e energia.
Essa mudança não apenas reduziu custos, mas criou um modelo mais sustentável, escalável e alinhado às demandas atuais da sociedade. O exemplo reforça uma mensagem importante: inovação nem sempre significa complexidade ou grandes investimentos, muitas vezes significa simplificação, eficiência e inteligência no uso dos recursos disponíveis.
Para o RH, esse tipo de transformação exige profissionais com capacidade de adaptação, visão sistêmica e abertura para aprender novos processos. A gestão de pessoas passa a ser responsável por preparar talentos para operar em modelos mais enxutos, digitais e colaborativos.
O terceiro ponto abordado por Cesar Souza foi a sucessão nas lideranças, um tema sensível, mas inevitável. Muitas empresas ainda convivem com lideranças cansadas, pouco abertas a mudanças e desconectadas das transformações sociais, tecnológicas e culturais do mundo atual.
Segundo ele, períodos de incerteza escancaram esse problema. Lideranças que funcionavam bem em contextos estáveis tendem a ter dificuldades quando o cenário exige velocidade, inovação e escuta ativa. Por isso, discutir sucessão não é apenas uma questão de idade ou tempo de casa, mas de preparo para o futuro.
Renovar lideranças significa investir na formação de novos líderes, promover diversidade de pensamento e estimular uma cultura mais aberta ao diálogo e à experimentação. Para a gestão de pessoas, esse processo é decisivo para garantir continuidade estratégica e evitar rupturas traumáticas.
A saúde mental deixou de ser um tema periférico e se tornou uma pauta central para a sustentabilidade dos negócios. Cesar foi enfático ao afirmar que empresas que não cuidam genuinamente do bem-estar físico e emocional de seus colaboradores correm riscos significativos.
Ambientes de trabalho marcados por pressão excessiva, insegurança constante e falta de apoio tendem a gerar aumento de afastamentos, queda de produtividade, desengajamento e perda de talentos. Em tempos de incerteza, esses efeitos se intensificam.
Tratar saúde mental como prioridade real exige mais do que discursos ou ações pontuais. Envolve repensar modelos de gestão, metas, comunicação interna e o papel das lideranças no dia a dia. A gestão de pessoas tem papel fundamental na construção de ambientes mais saudáveis, seguros e humanos.
O quinto caminho apresentado foi a capacitação contínua com foco em tecnologia e inteligência artificial. Para Cesar Souza, o futuro do trabalho será cada vez mais dividido entre quem sabe usar IA de forma estratégica e quem não sabe.
A inteligência artificial já impacta processos, decisões e modelos de negócio em praticamente todos os setores. Ignorar essa realidade significa correr o risco de tornar profissionais e empresas menos relevantes. Capacitar pessoas não é apenas ensinar ferramentas, mas desenvolver pensamento crítico, capacidade analítica e uso inteligente da tecnologia.
Para o RH, esse é um dos maiores desafios e, ao mesmo tempo, uma das maiores oportunidades. Investir em capacitação tecnológica fortalece a empregabilidade, aumenta a eficiência e prepara a organização para um futuro cada vez mais digital e orientado por dados.
Ao longo da palestra, ficou claro que a gestão de pessoas é um dos principais pilares para atravessar períodos de instabilidade. RHs que atuam de forma estratégica conseguem conectar pessoas, cultura, tecnologia e negócio, criando organizações mais resilientes e adaptáveis.
Em vez de apenas reagir às mudanças, o RH passa a antecipar cenários, preparar lideranças e desenvolver competências-chave para o futuro. Esse movimento transforma a área em protagonista da estratégia empresarial.
Mais do que uma reflexão sobre incertezas, a palestra de Cesar Souza é um convite à ação. Ela mostra que, mesmo em cenários desafiadores, é possível construir caminhos sólidos, inovadores e humanos para o futuro do trabalho.
Assista ao conteúdo completo apresentado no CONARH 2025 e inspire-se a fortalecer a gestão de pessoas da sua organização. Construir um RH mais estratégico, resiliente e conectado com o futuro é uma decisão que começa agora.