
A sustentabilidade dos planos de saúde no Brasil nunca esteve tão no centro das discussões estratégicas quanto agora. O aumento expressivo dos custos assistenciais, a transição demográfica acelerada e o avanço tecnológico colocaram a saúde suplementar diante de um cenário desafiador, mas também repleto de oportunidades.
No CONARH 2025, a Benner promoveu uma palestra que reuniu três grandes nomes do setor para uma análise realista, transparente e necessária sobre o futuro da saúde suplementar no país. Participaram do painel Raquel Reis (CEO da SulAmérica Saúde e Odonto), Helton Freitas (Presidente da Seguros Unimed) e a mediação de Mariana Marques (CEO da Boon).
Juntos, eles trouxeram reflexões profundas sobre os desafios estruturais do setor, os riscos à sustentabilidade financeira e as estratégias que devem orientar as decisões em 2026.
O consenso entre os especialistas foi claro: a saúde suplementar vive um momento de inflexão. O modelo tradicional de financiamento e utilização dos planos de saúde está sob forte pressão, exigindo revisão de práticas, políticas e modelos assistenciais.
Entre os principais fatores que pressionam os custos e dificultam a manutenção dos planos estão:
Esses fatores combinados criam um cenário de aumento constante da sinistralidade, impactando reajustes, competitividade e acesso ao benefício.
Um dos pontos mais enfatizados foi a transição demográfica brasileira. O país deixou de ser predominantemente jovem e caminha rapidamente para um perfil populacional mais envelhecido.
Segundo Dr. Helton Freitas, o cuidado com a população idosa exigirá:
O envelhecimento traz aumento na frequência de uso, maior necessidade de terapias prolongadas e ampliação de custos assistenciais. Portanto, operadoras e empresas contratantes precisarão desenvolver estratégias mais inteligentes de gestão de risco.
Outro tema sensível debatido foi o crescimento da judicialização da saúde. Decisões judiciais que desconsideram protocolos clínicos ou diretrizes técnicas acabam gerando custos adicionais inesperados para as operadoras.
Raquel Reis destacou que a sustentabilidade do setor depende de uma responsabilidade compartilhada entre todos os atores do ecossistema, incluindo:
Práticas como uso excessivo de terapias sem indicação adequada, tratamentos estéticos mascarados e solicitações fora de protocolo contribuem para distorções no sistema.
A tendência para 2026 é que as operadoras invistam cada vez mais em:
Um dos pontos mais estratégicos levantados no painel foi o papel do RH nas empresas contratantes. Mariana Marques trouxe uma reflexão importante: o RH precisa deixar de ser apenas gestor contratual e assumir protagonismo na gestão da saúde corporativa.
Entre as ações recomendadas para 2026 estão:
Empresas que utilizam dados para mapear padrões de utilização conseguem atuar preventivamente, reduzindo custos sem comprometer o acesso.
Apesar dos desafios, o cenário também é promissor. A saúde suplementar vive um momento de transformação impulsionado por inovação tecnológica.
Entre as principais tendências para 2026 estão:
Tratamentos mais direcionados, baseados em perfil genético e histórico clínico.
Modelos centrados no médico de família e no cuidado coordenado.
Dispositivos e aplicativos que acompanham pacientes crônicos em tempo real.
Análise preditiva para identificação de riscos, prevenção de doenças e gestão de sinistros.
Remuneração atrelada a desfechos clínicos e qualidade assistencial, e não apenas volume de procedimentos.
No entanto, os especialistas reforçaram que inovação sem análise de custo-benefício pode agravar o problema. A tecnologia precisa estar alinhada à eficiência e à sustentabilidade financeira.
Um dos grandes desafios para 2026 será encontrar o ponto de equilíbrio entre:
Operadoras e empresas precisarão avaliar cuidadosamente reajustes, modelos de coparticipação e estratégias de negociação com prestadores.
A tendência é que haja maior:
O que ficou claro no debate é que o setor não pode mais operar com modelos reativos. A gestão da saúde suplementar em 2026 exigirá:
A sustentabilidade dos planos de saúde dependerá da capacidade de inovação com responsabilidade e da atuação conjunta de todo o ecossistema.
Se você atua em RH, gestão de benefícios ou participa da contratação de planos de saúde na sua empresa, compreender essas tendências é essencial para tomar decisões mais estratégicas em 2026.
A palestra apresentada no CONARH 2025 aprofunda cada um desses pontos com dados, exemplos práticos e análises de mercado.
Assista ao conteúdo completo e prepare sua organização para os desafios e oportunidades que vão definir o futuro da saúde suplementar no Brasil.